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segunda-feira, 22 de março de 2010

Podridão perfumada.

Adentrou o recinto cambaleando, ébrio e inconseqüente, fazendo da balbúrdia o seu estandarte. Os transeuntes, estupefatos com tamanhas atrocidades, sucumbiram ao terror do promíscuo e permaneceram incrédulos diante da cena que presenciavam. O bêbado, tropegando tanto em palavras quanto em objetos, defecava nos finos pratos recém preparados pelo chef chileno daquele restaurante. Suas calças arriadas e sujas contrastavam com o corte simétrico, elaborado e requintado.

Aparentava ser um homem respeitável, não fossem suas atitudes naquele momento. O traje imponente e delineado em seu corpo firme parecia um contraponto irônico em relação ao seu estado lastimável. Com suas vestes manchadas por dejetos de odores fétidos, parecia ter saído de um depósito putrefato de alimentos. Envolto em suas próprias fezes, avançava em direção aos que vislumbravam paralizados àquela cena grotesca.

“Regozijai em sua mediocridade!”, bradou. Atônito, o proprietário do fino restaurante tentou intervir, no entanto fora alvejado impiedosamente por um punhado de excremento. Não suportando o acontecido, expeliu com violência dejetos de comida, vomitando um de seus pomposos pratos.

De um lado, um humilhado administrador; de outro, o arauto do escárnio sanitário, ensandecido em seus devaneios nada higiênicos. O restaurante outrora soberbo então fenecia na podridão, tanto física quanto moralmente. Era a sobriedade contra a ebriedade, prestes a entrarem em um embate dispensável e racionalmente incompreensível.

O proprietário, impotente em conter a algazarra do incontido beberrão, avançou à mesa mais próxima e se apoderou de uma faca com as serras gastas, porém ainda pontiaguda. Adiantou-se em direção ao baderneiro para desferir um único e mortal golpe, porém cambaleou ao pisar em seu próprio vômito. Fracassou ao tentar recobrar o equilíbrio, desfalecendo perante a platéia atordoada, que nada pôde fazer ao presenciar a ponta da faca rasgar e atravessar o rosto do indivíduo, enquanto este ia de encontro ao chão.

Enquanto a multidão se reunia em volta do corpo moribundo, o sujeito embriagado recolhia suas calças e se apressava em deixar o local. Quanto ao dono do restaurante, esmoreceu na eternidade, cuja existência findou-se em meio a sangue, vômito e fezes.

domingo, 9 de agosto de 2009

Quatro da manhã

a ebriedade é uma dádiva dos deuses alcoolizados, bezuntado em maizena e fósforo acético rsrsrs

nunca antes um ipod sentiu tanto tesão em presenciar uma infante desnuda... a capa do cd novo do pink floyd excitou-se com a tamanha desventura endurescente da pequena ninfeta... pênises eretos

o lado negro da lua é a constatação da perversidadde humana, permeada por inúmeras atrocidades bucólicas, com a circuncisão efêmera que é a vida pacata dos eternos transeuntes famintos por excremento.

EEstou b?êbado.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Trilogia Ébria - Parte I – Imutável e inconsequente.

Dentre todas as possibilidades, a mais absurda se concretizou. Após mais uma semana de intenso labor, os ânimos se encontravam desgastados para o nosso protagonista. Hideo, um simpático descendente de japoneses, contava os minutos para as dezoito horas, momento onde deixaria o seu cubículo infestado de tristeza e papéis para jogar fora - pelo menos temporariamente - as algemas do mundo corporativo. A companhia nefasta de seu gerente de vendas nada mais seria do que uma lembrança inconveniente em seu breve momento de lazer, mas isso não seria um problema.

Exatamente às seis horas da tarde Hideo recolheu seus pertences, desligou seu computador já amarelado devido ao desgaste e se dirigiu a saída do escritório onde trabalhava, sem nem ao menos se despedir de ninguém. Sentia repulsa só de imaginar que teria de ouvir aquelas vozes insuportáveis na próxima semana. Mas agora era o momento para esquecer tudo. As reuniões infindáveis e supérfluas, a fadiga, a constante sensação de estar perdendo momentos preciosos de sua vida, tudo ficaria para trás. Agora era a hora de confabular e bebericar com seus confrades, escudeiros da esbórnia semanal.

Eram um grupo de ébrios, boêmios, arautos da intelectualidade senil. Suas facetas se revelavam a cada copo de cerveja, mostrando o vigor e a vivacidade que inexistiam quando presos ao cinza das obrigações frívolas que exauriam quaisquer traços de felicidade. O cotidiano se fazia distante quando inebriados pelo mais puro lúpulo, cevada e malte. Acompanhando Hideo estavam Jorge, Frederico e Kleber, amigos de longa data que cultivavam interesses em comum, em especial o apreço pela degustação descompromissada dos finais de semana. Suas histórias entretinham ouvintes, que, incrédulos com tamanhas peripécias, se sentiam influenciados pelos trovadores embriagados. Por muitas vezes lembravam-se de quando que encantavam raparigas, desafiavam autoridades, matutavam sobre assuntos diversos e submetiam suas vidas ao perigo mortal. Sim, perigo mortal, caros leitores.

Não foram poucas as vezes que se viram em situações que poderiam findar suas vivências. Houve aquela em que, após duas garrafas de vodka, decidiram se dirigir ao parque de diversões que se alocava no terreno baldio no subúrbio da cidade para demonstrar suas habilidades nos carros de choque. Apesar da velocidade controlada o grupo conseguia desafiar a foice da morte, expondo seus frágeis corpos a possíveis fraturas ao deitarem nas áreas de impacto dos carros enquanto seus parceiros os guiavam freneticamente em direção a qualquer objeto em seu caminho. Quando os controladores do brinquedo percebiam o que estava a acontecer já era tarde demais. Sempre alguém acabava por rasgar algum membro de seu corpo, porém o fim da vida não os encontrava. Outra vez, depois de terem ingerido uma solução etílica que consistia de tequila, álcool de cozinha e cachaça artesanal, penderam um trator - que haviam furtado em uma fazenda nos arredores da cidade - em um barranco enlameado, deixando-o suspenso a uma altura de doze metros. Riam e bradavam, ao passo em que o veículo titubeava em direção ao chão pedregoso. No último instante saltaram para o chão, assistindo ao infortúnio do maquinário de outrem. Mas o maior perigo vivido até então se dera na noite de hoje, após a infindável semana laboriosa.

Com a percepção alterada devido ao consumo excessivo de inúmeras bebidas alcoólicas, a ideia de danificar cabos condutores de eletricidade parecia adequada a uma noite calma e tediosa como aquela. Dirigiram-se à estação central da cidade, driblaram a segurança pífia e seguiram para os geradores principais furtivamente. Apesar de seu estado calamitoso, o grupo conseguiu manter a discrição ao adentrar o perímetro da estatal. Frederico, o mais velho do bando, tomou a dianteira e encontrou um painel que julgou ser indispensável para o funcionamento da estação. De fato estava correto, visto que, ao arrombar a portinhola que protegia o equipamento e banhá-lo com cerveja quente, o mesmo gerou uma queda de energia nos arredores. Hideo, em seu ímpeto embriagado, seguiu ao cabo de luz mais próximo que encontrou e o puxou, arrebentando-o com facilidade, já que o fio escolhido possuía uma espessura irrelevante. Parte dele continuava afixada no gabinete em que se encontrava a altura do peito de Hideo, e a outra jazia a dois passos de distância. A falta de energia agora açoitava a muitos, porém para os arruaceiros aquele momento era o esplendor da excitação inconsequente e sem causa. O grupo se encontrava disperso, cada um vandalizando à sua maneira. Nem parecia o grupo que, noites atrás, se contentava com algumas garrafas de cerveja e discussões acaloradas sobre filosofia, existencialismo e culturas diversas. Após alguns instantes de arruaça solitária, se encontraram novamente no painel encharcado por cerveja. Kleber trazia em seus braços um vira-lata morto, já em estado de decomposição, fétido e asqueroso, e o jogou no chão entre os outros rapazes. Ele não conseguia disfarçar o prazer em profanar o pobre canídeo. Jorge e Frederico sentiram repulsa com a atitude de Kleber, porém Hideo compartilhou do regozijo funesto de seu comparsa.

Em uma atitude que deixaria ativistas indignados, o nipônico recolheu o corpo inanimado do cachorro e o levou até a parte do cabo que se encontrava fixa no painel inutilizável. Abriu a boca do animal e, grosseiramente, enfiou na garganta o cabo que ali pendia, enquanto buscava a outra parte para fincar no esfíncter retal do cadáver em suas mãos. Hideo gargalhava e brincava com o corpo que balançava preso em suas extremidades. Frederico e Jorge ficaram aterrorizados com as atrocidades de seu amigo, que sempre demonstrou educação impecável, mesmo quando em um estado deplorável devido à bebida. Parecia possuído por alguma entidade diabólica, porém eles sabiam que não era o caso, por desacreditarem em fantasias mundanas. Enquanto Hideo dava tapas no animal, os outros rapazes perceberam uma movimentação ao longe e ficaram em estado de alerta. Viram um vulto por entre a bruma e empalideceram, prevendo o futuro próximo, onde seriam capturados e presos por baderna e destruição de bens públicos. No entanto, suas previsões estavam foscas como a neblina, e nem se equiparavam com o que estava por vir. O japonês ignorou os avisos de seus companheiros e continuou a desrespeitar o defunto decomposto do cão, desta vez fazendo furos e rasgos na pele com seu canivete suíço. No exato momento em que Hideo fincou o objeto na garganta do cachorro, um estouro de proporções colossais o fez cair ajoelhado no chão, incapaz de gritar ou de esboçar qualquer reação, como por exemplo, largar da lâmina em que segurava. A energia havia voltado na região, graças à conexão canina feita pelo bêbado. Seu azar foi estar em contato com o corpo condutor no momento em que a eletricidade retornou. Os olhos cerrados do oriental estavam esbugalhados, o globo ocular adquiriu tonalidades rúbeas e seu corpo se contorceu de modo avassalador. Faíscas reluziam o ambiente e fumaça saía por todos os poros de Hideo. Estava carbonizando na frente de seus amigos, impotentes perante a terrível situação. O show de horror findou quando os ébrios restantes viram uma caixa de madeira voando por cima de suas cabeças e acertando o que antes era um vira-lata. O cabo se soltou e a energia não teve mais por onde ser conduzida. Tanto o cão quando o humano estatelaram no chão com um baque surdo. Não havia o que fazer, não havia quem salvar. Hideo estava morto, carbonizado em frente aos seus amigos.

Três guardas noturnos chegaram ao local da tragédia e imediatamente renderam os companheiros do finado, sem nem se preocuparem com o corpo que jazia e chamuscava logo à frente. Morto é morto, e os vivos é que têm que ser punidos. Tinham destruído um patrimônio do estado, e levado ao breu centenas de milhares de pessoas, causando prejuízo a empresas, entidades públicas e propriedades privadas. Apesar de não existirem registros fílmicos dos vândalos adentrando a estação, tinham sido pegos em flagrante, dificultando as chances de saírem inocentados. Kleber, Jorge e Frederico estavam estupefatos, petrificados diante da imagem de um Hideo irreconhecível. Logo ele, o autor de inúmeras peripécias, arauto do ufanismo ébrio, morto. Boa parte de suas histórias tinham início a partir das ideias do oriental, sempre descompromissadas, mas garantindo entretenimento durante toda a noite. A “sociedade destilada” estava desfeita. Havia, naquele momento, virado cinzas, assim como um de seus mais entusiasmados participantes. A incredulidade assolava aos rapazes de forma tão devastadora que nem perceberam a sua chegada à delegacia. Suas vidas haviam chegado ao fim. Hideo os fitava, impotente.

Termina aqui a primeira parte da Trilogia Ébria. Em breve, o segundo capítulo, dando um novo enfoque à narrativa. Aguardem.

domingo, 12 de julho de 2009

Domingos de Fé

rodrigo diz:
wassap
Kari diz:
suuup nigger
rodrigo diz:
o que nos traz nessa linda manhã dominical?
foi à missa, suponho
como de costume, certo?
Kari diz:
Com toda certeza, fui orar para jesus nosso senhor e lhe entregar o dizimo como sempre, quero ter uma boa casa quando eu for para o céu.
rodrigo diz:
ah, minha cara! compartilho de tais anseios
Kari diz:
Fico feliz irmão, logo jesus retornará e todos os incrédulos pagarão por não ter fé
E nós fiéis todos estaremos no aconchego de nosso senhor bom Deus
rodrigo diz:
de fato
os pagãos hão de sofrer sob a ira do Senhor
e Ele não hesitará em exterminar os hereges
Kari diz:
HAHAHAHAHHAHAHAH okay chega
to ficando com medo já
rodrigo diz:
ahfusdhusae
Kari diz:
conversa mais que produtiva
rodrigo diz:
vou postar no meu blog, ok?
xD

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Consequências da inconsequência.

Texto feito com base no tema proposto pela Flávia.

Era início de primavera. Para muitos, isto significa a renascença da alegria, mas para Seu Aldo Schroeder significava dinheiro no bolso. Ele possuía uma singela barraca de cachorro-quente, que garantia o seu sustento e o de sua família. Trabalhava arduamente de terça a domingo, sempre no período da noite, arrastando-se até a madrugada. Suportava frio intenso, transeuntes mal-intencionados e rapazes ébrios recém-saídos de noitadas inconseqüentes. Mas continuava lá, firme e forte com suas latas de milho verde e pacotes de farofa. Mas na primavera a história era outra.

Na última semana de setembro iniciavam-se os joguinhos abertos da principal universidade das redondezas. Centenas de jovens acadêmicos da faculdade Clemente Santino se reuniam para participar das competições amistosas entre os cursos, intensificando o movimento no campus. Era nesta época do ano que Seu Aldo se retirava de seu ponto fixo na movimentada avenida no centro da cidade para se instalar nas redondezas do ginásio universitário. Deixaria de lado os mendigos e os embriagados para, durante duas semanas, quintuplicar o seu faturamento diário às custas de afortunados e cheirosos jovens estudantes.

Chegou logo pelo início da manhã, na expectativa de começar a angariar fundos desde cedo, o que foi um equívoco de sua parte. As festividades esportivas só teriam início no horário da tarde. No entanto, pôde observar uma movimentação peculiar próximo a reitoria. Centenas de jovens confabulavam em frente ao prédio, aparentando um certo agito. Faixas estavam expostas e grupos distintos se identificavam usando camisetas de cores semelhantes. Seu Aldo não conseguia identificar com precisão o que constava em tais faixas, devido à sua idade avançada, mas concluiu ter relação com os jogos estudantis. Assentou-se à sombra de uma árvore próxima, de corpo imponente e frutos em fase de desenvolvimento. Instalou ali o seu humilde carrinho, com calma e simpatia. Cumprimentava os jovens que ali transitavam com um carinho quase fraterno, digno de um amável avô. Em poucos minutos os cães abandonados que na universidade circulavam já estavam fazendo companhia a Seu Aldo.

O som de buzinas a gás e o cântico uníssono dos jovens animava o vendedor, assim como o agito das faixas e os batuques em sincronia. "Vivazes estes infantes",pensou. Fazia muito que seus netos não o visitavam, o que lhe entristecia imensamente. Sentia falta das risadas e dos choros daquelas que um dia foram suas crianças. A juventude os atingiu e os fizeram esquecer de seu avô, para seu infortúnio. Estar ali, naquela universidade, presenciando tamanha energia, o fazia se sentir nostálgico em relação a algo que nunca pôde experimentar. A lágrima que escorria em seu rosto enrugado não tinha como ser definida: era um misto de tristeza e alegria. Estar tão próximo da juventude o fazia se sentir mais jovem. Lembrou dos tempos onde a insegurança e a incerteza o assolavam, e tinha de enfrentar tudo sem saber para onde ir. Lembrou da primeira namorada, das ideologias, das expectativas e do ímpeto insaciável de conhecer o mundo. Abriu o pacote de salsichas congeladas.

Após alguns minutos de preparo em água fervente, o odor característico do alimento começou a se espalhar pelo ambiente, naturalmente atraindo a atenção da massa nas proximidades. Seu Aldo ficou espantado com a reação dos estudantes: estavam todos inquietos, parecendo em transe. "Durante anos passei noites e noites me esforçando para me manter vendendo na noite sem nunca perceber que este lugar era uma mina de ouro!", refletiu. Ficou estupefato com o aparente sucesso de sua culinária urbana e começou a separar as moedas para distribuir os trocos. A multidão alvoroçada se dirigia à barraca do velho Schroeder, quando de repente o som ensurdecedor de um estridente apito ecoou sobre as cabeças que ali se encontravam.

Todos que ali estavam ficaram imóveis, fazendo Seu Aldo indagar o que poderia estar acontecendo. Do meio do aglomero surge um jovem de estatura média-alta, calças jeans surradas, camiseta preta e óculos com aros quadrados. Sua barba estava por fazer, encobrindo boa parte de seu rosto, assim como suas madeixas despenteadas. Ele caminha em direção a Seu Aldo de forma austera, enquanto todos o observam com atenção. "Bom dia, meu filho! Gostaria de um cachorro-quente?", pergunta ao jovem, com desmedida afetuosidade. "O senhor está maluco?", questiona pausadamente o jovem rapaz. O velho senhor fica perplexo com a audácia do estudante, e emudece tamanha a surpresa. "O que diabos você pensa que está fazendo aqui? Não tens noção do inconveniente?", continua. "Meu filho, o que lhe fiz de errado?", tenta apaziguar. O acadêmico vira para a multidão calada, esboça um sorriso irônico e se vira novamente ao vendedor, tomando de suas mãos um pão com salsichas e jogando-o no chão. O alimento ali esfacelado significava dois reais a menos para o esforçado trabalhador, mas isto pouco importava para todos ali presentes.

"Seu velho tolo e ignorante!" bradava ferozmente o descontrolado jovem. "É por causa de pessoas como você que o mundo em que vivemos está para entrar em colapso", continuou. "Você tem noção da quantidade de animais mortos que foram necessários para transformar isto que você chama de comida?". Suas veias saltavam, a saliva era expelida em grandes quantidades e seus olhos negros estavam inquietos. "Frangos, porcos, e sabe-se lá o que mais! E os corantes? Este lixo industrial é um veneno pra nós e pra natureza! A energia despendida pra produzir isto é algo que nem consigo imaginar!" Seu Aldo ficou petrificado, sem entender o que estava acontecendo. Tentou recuperar a calma, e logo buscou, com serenidade, seu par de óculos. Colocou-os pacientemente e olhou novamente ao seu redor. Arrependeu-se imensamente de ter escolhido se assentar naquele lugar ao descobrir que tamanho alvoroço era referente à uma manifestação do grupo vegetariano da universidade. Os acadêmicos descobriram recentemente que toda a carne utilizada nos restaurantes da instituição provinha de abatedouros clandestinos, o que foi o estopim para as manifestações, que haviam se iniciado naquela manhã. A mesma manhã em que Seu Aldo tinha escolhido para lucrar um pouco mais.

"Meu filho, me desculpe, não quis provocá-los", implorou o velho. A multidão não conteve as risadas e os batuques frenéticos. O jovem barbado e desleixado, que sem dúvida era o manifestante líder naquela situação, se aproximou do senhor e fitou-o agressivamente. Questionou: "Você está me achando com cara de palhaço?". Seu Aldo não conseguia disfarçar o nervosismo, não havia ninguém ali para lhe dar suporte. Nada de seguranças ou policiais. Ele só queria ir embora dali. "Sugiro que o senhor dê uma bela pesquisada em salsichas vegetarianas, sabe?", desdenhou o impetuoso ativista. "Além de mais saudáveis e ecologicamente corretas, tem um gosto melhor", continuou, derrubando no chão a panela repleta de água quente e salsichas. Seu Aldo cambaleou para trás na tentativa de fugir de possíveis queimaduras. Logo após o ato do jovem, vários outros estudantes avançaram e começaram a destruir a barraca de cachorro-quente. Os sons das buzinas e dos gritos, que antes energizavam Seu Aldo, agora o amedrontavam. Estava impotente perante a barbárie do futuro da nação. Após poucos minutos, nada mais restava além de metal retorcido e alimentos pisoteados. O líder dos manifestantes era ovacionado e erguido constantemente pelos outros jovens, sendo jogado para cima em uma celebração da incoerência.

Logo em seguida, o som das sirenes se aproximou, resultando na evacuação imediata do local. Faixas, latas de buzina e instrumentos musicais foram largados no meio da rua, fazendo companhia à barraca destroçada e ao pobre velho que jazia inconformado no meio-fio. Logo à sua frente, visualizou uma carteira abandonada. Pegou-a para tentar, talvez em vão, usá-la como evidência para os policiais que chegariam em breve. Indescritível foi o seu susto ao identificar ninguém menos que o jovem que há poucos minutos o insultava sem chance de defesa. Outra lágrima apareceu, mas desta vez ele tinha certeza que era apenas de tristeza. Não pôde acreditar ao ver o nome naquele documento: Aldo Schroeder Neto.

quarta-feira, 4 de março de 2009

A arte de não ter nada para escrever.

Imagino se os clássicos da literatura iniciados com o conhecido "era uma vez..." não tenham sido criados ao acaso e nas coxas, sem ter sido necessariamente uma idéia pré-concebida. Digo isso porque há dois minutos atrás eu não fazia idéia sobre o que escreveria, e adivinha como eu iria começar o texto? "Era uma vez..."

Não que eu esteja me comparando aos grandes literatos de outrora, pelo contrário. Estou passando por uma das piores fases de atrofia cerebral, onde o meu senso crítico está cada vez menos apurado, sinto-me incapaz de fazer análises profundas a respeito de algo e até me indago sobre a escrita de palavras simples, tendo de consultar o querido e estimado google constantemente. Devo isso a alguns fatores em especial:

- Falta de leitura. Sempre tive o prazer de ler, apesar de não cultivar tal atividade como gostaria. Porém, desde a metade do ano passado, rendi-me à leitura preguiçosa, de fácil digestão. Culpa da internet? Culpa minha.

- Intensificação da vida social e ébria. Existem momentos e momentos. Em alguns deles, queremos passar o dia de pijama, estudar e constituir uma família. Já em outros, queremos a libertinagem, a futilidade e porque não a promiscuidade. Ao momento, eu me encaixaria no segundo padrão. Não que eu esteja passando as minhas noites injetando drogas e participando de bacanais com transsexuais, mas confesso que estou dando prioridade às garrafas de heineken e não aos livros.

- Redenção ao trabalho escravo. Em meus empregos anteriores, sempre pude tirar meia horinha para masturbar a minha mente com textos supostamente bacanas à primeira vista, mas vazios em sua essência, disfarçados por uma construção estrutural aparentemente satisfatória. Hoje em dia é raro eu ter este tempo, visto que a demanda de anúncios pendentes a chegar em minha mesa aumenta em progressão geométrica. Levando em consideração que todo blogueiro que cria seus próprios textos se considera um "gerador de conteúdo", deixei de o ser faz tempo. Hoje, nada mais sou do que um publicitário automatizado, uma mera máquina criadora de anúncios, sem uma abordagem intelectual em meus trabalhos. Um peão da propaganda, trabalhando na linha de produção, sem o "glamour" da criação de novas idéias e conceitos para inspirar consumidores, mas sim gerando materiais como se fossem lanches de uma cadeia de fast-food. Existem várias opções de lanches, mas em sua essência são todos basicamente os mesmos.

São textos como este que você acabou de ler que me fazem pensar sobre determinadas obras clássicas humanidade (mais uma vez: pelamordedeus, não pensem que estou me comparando a algum autor relevante. Este é um texto inútil em um blog medíocre que ninguém lê). Não necessariamente Nietzsche tenha criado "O anticristo" com tal idéia em mente. Pode ser que, em uma bela manhã ensolarada de domingo ele tenha puxado uma folha qualquer e, de ressaca, tenha escrito: "Era uma vez um anticristo". Ok, péssimo exemplo. Horroroso exemplo. Mas tenha quase toda a certeza de que com LOST foi assim. :D

Ps: reparem como no último parágrafo usei argumentos pífios, demonstrando cansaço e desgaste do autor. Eliminar a preguiça mental é um trabalho árduo, amiguinhos. Um dia eu chego lá.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A voz do povo

Beto era simples porém feliz. Apesar de ter um trabalho aparentemente monótono e rotineiro, os seus dias sempre o reservavam alguma surpresa. Como boa parte dos cidadãos honestos e trabalhadores deste país, acordava em seu humilde casebre nos arredores da cidade e logo fazia o desjejum, que consistia de pães secos e leite. Tão logo que comia, saía apressado para pegar a condução, ou melhor, as conduções. O tráfego intenso e a distância complicavam a chegada de Beto ao seu lugar de trabalho, no centro da cidade, logo ele deveria se preparar cerca de duas horas antes do início de seu não tão puxado porém cansativo turno. O ônibus que o levava para cá e para lá era sempre apinhado de pessoas das mais distintas histórias: eram camareiras indo, prostitutas vindo e pobres senhores sem destino definido, apenas tentando vender - inutilmente - broches malfeitos e mal cuidados nos corredores apertados do veículo. Beto se sentia abençoado ao notar que a maioria das pessoas tinham uma vida ainda mais complicada que a sua, por mais cruel que fosse este pensamento.

Ao desembarcar no terminal central, Beto percorria o caminho mecanicamente. Inúmeras foram as vezes que foi sem nem perceber o que acontecia ao seu redor. Mas sempre observava os deficientes - era impossível não notar. Ele não entendia como poderia haver tantas pessoas com deformidades circulando em áreas urbanas. Não que ele fosse a favor do banimento de tais indivíduos, apenas não entendia o porquê de tanta desgraça ambulante. E por que apenas os pobres eram assim? Não existiriam ricos com iguais anomalias? Ou será que eles eram mantidos em sigilo, para que a alta sociedade não soubesse de tamanha vergonha? Isto o incomodava, mas não o bastante para tentar fazer algo em favor destes.

O sol escaldante não afetava Beto em sua jornada laboral, porém o calor incessante gerado pelos prédios, asfalto e veículos circundantes perturbava qualquer um que transitasse pelas ruas lotadas do centro da cidade. Em menos de duas horas em pé já era possível ver que pessoas com menor tendência a se expor a situações como esta não aguentariam o suor acumulado. Este em pouco tempo se transformaria em uma papa gordurosa e com um cheiro não muito agradável. Mas Beto suportava. Beto quase gostava. Apenas gostaria de ser melhor remunerado, mas tal situação era utópica e ele tinha ciência disso. A vida de um locutor de pseudo-lojas de departamento realmente não era das mais glamourosas, mas era a garantia do alimento de amanhã.

Sua voz característica era marca registrada na Rua Guararapes, conhecida pelos artefatos ilegais e de baixa qualidade. Beto anunciava durante todo o dia as diversas promoções da Casa Moda Fashion, que além de disponibilizar vestimentas populares possuía uma seção específica para eletro-eletrônicos de marcas menos conhecidas e por consequência mais acessíveis a todos. As promoções em questão não eram autênticas, elas apenas eram divulgadas mas o preço das mercadorias continuava inalterado. Indiretamente Beto ludibriava os pobres e ingênuos cidadãos que circulavam, mas ele nada podia fazer afinal tais mentiras sustentavam a sua família. Certa vez ele entrou em discussão com o seu chefe com a aparelhagem ligada, o que resultou em uma debandada geral dos clientes. A voz singular e icônica de Beto, típica dos locutores de lojinhas urbanas, sumiu e se transformou em algo comum aos ouvidos alheios, sem nenhum brilho - ou sem nenhum atrativo cômico para os jovens de classe média que passeiam pelas ruas da cidade com seus all-stares e iPods e caçoavam do timbre forçado de Beto. Após este episódio ele percebeu que no fundo é um ator, representando o tempo inteiro, fingindo ser alguém, encarnando um papel. Ele mentia para as pessoas o dia inteiro, pessoas desconhecidas, mentia tanto no discurso sujo quanto no seu ser ao modificar o seu jeito de falar.

Com o passar dos meses ele adquiriu uma dificuldade imensa em pegar no sono. A loja em que trabalhava começou a lucrar e a crescer e o segmento mudou. Agora a situação se invertia e o principal chamariz era a tecnologia. Tecnologia de terceira linha, direcionada para a classe CD, mas ainda assim tecnologia. O vestuário ia perdendo espaço e ficando destinada a uma modesta seção no canto da loja. As saias, as calças jeans e as jaquetas de napa davam lugar a televisores de vinte polegadas, aparelhos de CDs portáteis e sanduicheiras, todas com a opção de vinte parcelas no crediário. O movimento aumentou assim como o trabalho de Beto. Assim como o peso em sua consciência. Se antes as pessoas eram convencidas por sua voz a comprar moletons de cores berrantes e qualidade duvidosa por dezenove e noventa, agora se sentiam tentadas a despender quantidades consideráveis de dinheiro em máquinas de lavar.

Beto se sentia mal ao ver tantas pessoas se enforcando em dívidas dispensáveis e superficiais, e boa parte da culpa era dele. Ele sabia o quão difícil era para essas pessoas juntar dinheiro e reformar a casa ou pagar os estudos dos filhos ou então ampliar os negócios. Todo o dinheiro ia embora em objetos que com certeza não eram prioridade na vida deles e isso entristecia Beto. Pensou nos deficientes que passavam diariamente por ele. Pensou também nos parentes destas pessoas, que poderiam ter ajuda da comunidade para amenizar o sofrimento alheio. Pensou que talvez os próprios parentes se endividassem na antiga Casa Moda Fashion e deixassem as anomalias para lá. Mas Beto não podia deixar de exercer tal função, não havia outra alternativa. Era difícil para alguém como ele, maduro o bastante, conseguir outro emprego de uma hora para outra. Sentia-se um mero subalterno, enforcado e manipulado por outrem. Beto era simples porém feliz. Mas sentia um imenso vazio.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

ALKJS

Se eu estou infeliz no trabalho a culpa é minha ou do lugar?
Eu que sou incompetente ou a empresa que me deixa desestimulado a fazer um bom trabalho?

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Toalete da verdade

Jerry Seinfeld não é apenas um comediante. É um cara que, a partir do humor, consegue enxergar as nuances comportamentais do ser humano. Tanto em seu seriado quanto em seus shows stand-up, ele demonstra conhecer bem o mundo em que vive. De forma inteligente, ele transforma a nossa hipocrisia, egoísmo, frustração e muitos outros aspectos em humor. Diz ele, em um de seus episódios, algo como: "O homem só joga a sua cueca fora no momento em que ela está completamente inutilizável, encardida e toda rasgada." Não foi exatamente isso, mas tudo bem. Pois acabei de voltar de uma sessão de defecagem no banheiro do trabalho e vi que é exatamente assim que a minha cueca se encontra. Jerry Seinfeld, um gênio.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

A busca pelo Wii - Parte I

Era o segundo dia do ano e eu estava a aterrisar novamente nas terras do nosso camarada Jorge Buche. Já por alguns meses eu importunava a patroa, falando incansavelmente desse novo brinquedo que prometia ser uma revolução no mundo do entretenimento eletrônico. Agora era a hora de ir atrás dele e, com isso, torrar todo o rico dinheiro que eu havia guardado com suor, trambiques e negociações ferrenhas. Meu objetivo era, ao quinto dia do mês, comprar o tão desejado aparelho, presenteando-me e me desejando feliz aniversário, em um ato de egocentrismo explícito. Então, após pentelhar os detentores dos automóveis mais próximos, fui eufórico para uma das lojas da principal (acho) rede de venda de jogos eletrônicos estadunidense: o GameStop.

Exemplo de loja da GameStop catado no Google.

Para mim, um mero cidadão de uma pseudo-maior-cidade-de-um-estado-do-sul-do-Brasil que mal topa com algum lugar que venda jogos eletrônicos, o GameStop era mais divertido que os brinquedos da Neverland (Jacko's), só que sem a pedofilia. Mas que beleza! Uma loja de médio porte recheada de títulos gamísticos, filmísticos e animesísticos. Dezenas de colecionáveis. Apetrechos para "envenenar" (ic!) o seu console. Fantástico. Para mim, só os jogos e aparelhos me interessavam, e era o bastante. Uma das prateleiras era reservada para ele, o meu objeto de desejo. O Nintendo Wii. De cima a baixo, jogos, controles, memory sticks e Wii Points. Ao lado, um televisor widescreen com uma demonstração não jogável estava ligado. E acima, uma caixa do console. Tremi na base, como diriam aqueles das gírias duvidáveis. Fui, em um inglês tímido e abrasileirado, pedir uma unidade para então me regozijar pelo resto do mês. O vendedor então me olhou com aquela cara de "Lamento, campeão. Você não conseguiu ser escalado para o time de futebol americano da nossa escola americana" e disse: "Foi mal, cara, mas tá em falta". Decepcionado, observei as prateleiras da loja assim como faz uma pobre criança marginal na frente de uma vitrine com o último modelo do tênis da hora. Fui para casa.

Os dias que se passaram foram semelhantes - no que diz respeito às tentativas frustradas de adquirir o Wii. As três semanas seguintes, para ser mais exato. Foram litros de combustível gastos, solas de calçados, energias e tudo o mais. Dezenas de lojas visitadas - BestBuy, Gamestop, Circuit City, Toys R Us, Sears, Wal Mart, Target e até a livraria Barnes & Noble - e nenhum Wii. Nenhum. E olha que foram duas cidades vasculhadas. Mas o que mais se ouvia era "Desculpa, mas está em falta", "A procura é muita", "Não temos previsão" e o quase inacreditável "A Flórida inteira está sem". Chegou uma hora em que eu, desesperado por ir embora sem o Wii, apelei: fui para o EBay.

Eu tinha como passatempo ir ilegalmente à faculdade com as minhas primas, e graças ao Wii deixei de ir alguns dias. E graças ao Ebay também. Para quem não sabe, grande parte dos produtos vendidos é por lance, diferentemente do nosso queridíssimo MercadoLivre, em que ao clicar em "comprar" o produto já é seu. No EBay, pelo menos nos produtos mais badalados, o que acontece é uma disputa digital acirradíssima, onde os lances são maiores a cada minuto. Passávamos boa parte do dia observando a quantidade escrota de Wiis sendo leiloados. Eram Wiis de todos os cantos da América (uma vez encontramos um que vinha da exótica Costa Rica). Os preços, obviamente, eram alguns dólares maiores que os normais, mas volta e meia encontrávamos um ou outro por U$270. Aí a alegria estava feita, pois faltavam apenas tres minutos para que os lances fossem encerrados. Quando víamos já estavamos na disputa. Trinta segundos e a felicidade seria nossa. Vinte e cinco segundos e o preço, que estava em 270 dólares, aumentava para caríssimos U$360, contrariando todas as leis da robótica (?). Já me via voltando para a minha terra apenas com a vontade de manejar o maravilhoso controle quase-fálico da Nintendo.

Hoje tá mais em conta. Ou não.

Pois um belo dia, taquei o foda-se e comprei. Sim, comprei um Wii no Ebay. U$375, se não me engano. "Foda-se a grana, vou torrar quase tudo só no Wii. Os jogos eu dou um jeito de comprar depois." Deu 5 minutos, contei para a minha prima, e a reação dela me fez me arrepender. "Seu tosco, etc.". No ato, deixei um recado para o feliz vendedor dizendo que não efetuaria a compra, e que aquilo tinha sido um ato impulsivo. Deixei o cara na mão, eu sei, mas naquela altura do campeonato eu já não me importava com isso. Recebi uma notificação do EBay de que teria a minha conta cancelada e mais um bocado de coisas que me fariam ficar levemente preocupado caso eu não estivesse quase saindo do país. Como eu não sou usuário constante do site - só fui durante Janeiro -, tanto faz se o meu nome está na lista negra deles.

Passadas estas emoções, voltei ao GameStop mais próximo. Os vendedores já deviam estar cansados de ouvir a mesma pergunta quase todos os dias. Eu já tinha comprado jogos usados de GameCube para compensar, além de um Ps2 para o meu primo (que joguei também, obviamente). Um tiozão que estava lá atendendo ainda não me conhecia e deixou escapar que no próximo domingo chegariam alguns poucos Wiis. Algumas pesquisas nos levaram a descobrir que uma loja maior - o BestBuy - receberia também no mesmo dia, porém seriam mais de cinquenta aparelhos. Já tinhamos o que fazer no dia.

No sábado que antecedeu o domingo (...), decidimos, para não perder a talvez última oportunidade de conseguir comprar, passar a noite em frente a loja. É. No lançamento do Playstation 2, lembro-me de ter visto em uma revista centenas de japoneses acampando do lado de fora para conseguir o seu aparelho. Na época achei loucura.

Fim da parte I - Provavelmente demorarei para postar a II.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Semiose inóspita

A partir das instâncias perceptíveis, fica evidente que os pressupostos inválidos servem, em suma, para denegrir a imagem rebuscada do inter-locutor. Não obstante, a singularidade das congruências fica aquém do esperado, trazendo a tona toda a imparcialidade generalizada obtida. No caso, a socialização maniqueísta leva uma carga cultural ímpar e obscura, calcada nos conceitos neo-darwinianos da era interativa-digital. Junte isto ao introspecto uníssono e terá em mãos a miríade essencial da sociedade cosmopolita do século XVIII.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Canibalismo

Eis a descrição da comunidade "Odeio Publicitários" no Orkut:

"Publicitários afetados são a pior raça do Universo. Eles se acham os melhores seres do mundo e realmente pensam que são os donos da verdade. Tudo chega ao extremo do ridículo quando eles descobrem que podem formar opinião, porque 90% deles não sabe fazer isso direito. É por isso que o mundo de hoje é uma merda."

É. O Orkut não é lá a melhor referência para citações, mas de vez em quando surge algo aproveitável lá.
Infelizmente.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Comodismo ou oportunidade?

Eu gosto bastante da Rolling Stone. Não sou envolvido nem um pouco com música, mas acho uma leitura interessante.
Vejo, em várias matérias, uma linguagem imparcial, algo raro em qualquer meio jornalístico (embora volta e meia a parcialidade fica bastante evidente. Ou não, posso só estar falando um monte de merda sem saber.)
Mas a capa da edição do mês passado me intrigou. A princípio, me empolgou como a maioria das capas (Ver ícones da cultura pop na capa de uma revista que é um destes ícones me extasia. Sou o único?)
Uma breve pesquisa no Google me levou a uma Rolling Stone americana, cuja capa traz, assim como a edição de maio da brasileira, o nosso amigo Darth Vader. A diagramação é a mesma, os recursos gráficos os mesmos (vide bloco azul e chamada na parte superior).
Não estou reclamando ou criticando, nem desmerecendo a revista, até porque o momento para as matérias foi oportuno (30 anos de Star Wars). Mas bem que podiam dar uma caprichada a mais. Uma capa diferente, nem que fosse uma cor de fundo que não o branco, e até uma diagramação diferente. Eu vejo duas leituras: ou eles foram comodistas e pegaram "uma capa da revista americana que tenha algo sobre Star Wars" ou então foram sábios o suficiente para saber aproveitar uma capa bem produzida e com um apelo pop forte.



Não sei com qual alternativa ficar, mas pra comparação, ficam as capas da edição brasileira e americana com a nossa querida Gisele, que muitos acham sem sal, magricela, meia-boca, mas que eu acho uma coisa :)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

To nervosinho.

Se você assistir a um show do Audioslave e prestar BEM atenção, você verá que existe uma pessoa que canta, uma que toca bateria, uma que toca baixo e por fim, uma que toca guitarra. São pessoas diferentes fazendo coisas diferentes, cada uma com a sua competência e todas com um objetivo em comum.

Agora me diz porque que na maldita faculdade (de publicidade) quem não gosta ou não faz um planejamento é visto como uma aberração e quem não cria ou gosta de criar sai ileso? Se o Joaquinzinho fizer um anúncio medíocre e esteticamente horroroso, tudo bem! Mas se Pedrinho vacilar em um ponto do planejamento, pedra nele!

E não me venham com esse papo de "mas o planejamento é essencial...". Eu sei que é, seu merda. Acha que não sei? Mas em uma banda o guitarrista toca GUITARRA, e não pandeiro. Sacou?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

The Godfather


Minha próxima aquisição. E se houver uma renda extra, talvez role até um Super Mario. :D

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Correçao

Há algum tempo atrás, escrevi algo como :"depois de 'Jogos Mortais', ninguém mais consegue criar um desfecho impressionante baseado em tensão e reviravoltas".

O último episódio da terceira temporada de LOST calou a minha boca.
Obrigado, LOST.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

The Magical Mystery Tour!

Cansei de prolixidade.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Seu Primeiro Grande Carro

O bacana anda pelas ruas da metropole. Ele eh jovem, descontraido, bem apessoado, antenado e deve ter sorte com as damas de sua idade. Cresceu no auge dos anos oitenta, em meio a programas antologicos como o de Chacrinha e Fofao. Assistiu com empolgacao os filmes "pipoca" da epoca: Os Caca-Fantasmas e De Volta Para o Futuro sao belos exemplos. Sua carga cultural eh rica, afinal os oitenta agora eh cult.
Hoje ele eh bem sucedido. Deve trabalhar com comunicacao, talvez Design. Algo ligado com entretenimento. Logo, ele deve comprar o novo Prisma, afinal a vida dele o levou ate o automovel. Todas as suas vivencias tinham um objetivo. O Super Mario que ele tanto jogou nao foi inutil. As playboys compradas nao tinham um objetivo puramente punhetistico. O novo Prisma o esperou ate esse momento. Tanta historia, tanto viver.
Tudo valeu a pena. Agora, o bacana pode parar na calcada, olhar para a rua e suspirar diante dessa maravilha criada especialmente para ele. Muito bonito.

Agora, vamos criar uma publicidade que nao seja generica? Todo mundo achou o maximo essa campanha, mas experimente colocar um celular no lugar do carro para ver o que acontece. Ou um iPod. Quem sabe uma HD-TV? Ai sim ficaria legal. Uma HD-TV cairia muito melhor do que o "meu primeiro grande carro". Essa peca ta forcada, ta tentando criar algo que, ao meu ver, nao ta colando. "Ah, vamos fazer a garotada de 25 anos comprar este carro!". Ate consigo imaginar o brainstorm sendo feito: "Grande ideia! Vamos colocar varios elementos da epoca em que eles cresceram, e ai fazer um link esdruxulo pra mostrar o produto!". E nessa semana, comecaram com a segunda fase da campanha, seguindo essa linha escrota: agora o bacana - dessa vez executivo - aparece vencendo desafios impressionantes da vida real em forma de videogame. Claro, eles querem fisgar a galera 8-bits. Nada mais eficaz que criar uma propaganda que mais parece aquela do tenis do Senninha.

Abra a Veja desta semana e veja o anuncio continuo da Brastemp. A mesma merda. Discurso generico que "mexe com as emocoes do consumidor" e que fica por isso, sem adicionar nada ao coitado. Rasgue um pedaco da ultima pagina do anuncio e coloque a logo da Unimed que fica melhor.

Mas como sou apenas um rato da publicidade joinvilense falando mal dos grandes profissionais de Sao Paulo, fica o link para quem quiser ter uma opiniao diferente, no caso do mais acessado blog publicitario do Brasil. Ou entao assista aos video xoxos abaixo:





domingo, 13 de maio de 2007